No documentário 'Introspective', que passou pelo IndieLisboa deste ano, falava-se entre muitas outras coisas da importância que a internet teve na divulgação de bandas que dificilmente chegariam a grandes públicos, e que deixaram de necessitar obrigatoriamente de uma editora que distribua a sua música. Daqui para os downloads ilegais foi um passo.
A conversa é recorrente, e não deve haver publicação musical e/ou blog que não tenha falado disto várias vezes nos últimos anos (e cá estou eu a cumprir a minha quota), mas foi bom ouvir artistas relativamente consagrados expôr as suas ideias sobre o assunto. Noel Gallagher dos Oasis defendia que já tinha dinheiro suficiente para não se preocupar com quebras de vendas e que de qualquer forma se em vez de 7 milhões de libras recebesse só 5 milhões, isso continuava a ser um monte de massa. Jeff Tweedy dos Wilco afirmava que preferia que alguém ouvisse a sua música sem pagar do que ficar sem a conhecer por não ter dinheiro para a comprar, e ao mesmo tempo desmontava o argumento de que 'fazer um download ilegal é o mesmo que ir à loja roubar um disco' porque quando se vai à loja roubar fica lá um disco a menos para vender, ao passo que quando se faz download de um álbum, a loja (e a editora) continua com o mesmo número de cópias para venda.
Os argumentos são vários e já foram várias vezes repetidos. Há mais alguns
aqui, juntamente com as moradas de 6 blogs que regularmente oferecem links para download de álbuns completos, na sua maioria coisas que dificilmente se encontram nas lojas. A título de exemplo, num dos sites está disponível uma edição dos 'Sunburned Hand of Man' que foi lançada apenas em cassete, numa edição limitada de 200 cópias. Não sei se o download é legal ou ilegal, mas sei que a editora não espera de certeza fazer muito dinheiro com isto, que não é o mesmo que ir roubar a uma loja porque duvido muito que haja uma loja que a tenha à venda e que doutra forma nunca teria oportunidade de a ouvir...
Se tiverem interesse, tempo e paciência leiam este
guia de sobrevivência para bandas emergentes e megastars escrito pelo David Byrne, que é uma excelente descrição dos vários tipos de contratos que por aí se praticam entre artistas e editoras, escrito por alguém que já passou por praticamente todos eles e que além disso é dono da sua própria editora, a Luaka Bop, e que por isso conhece bem os dois lados da história.
Dentro do mesmo tema, também vale a pena ler o texto
"The problem with music" do lendário produtor
Steve Albini, que explica muito bem a forma como um contrato com uma grande editora se pode transformar num pesadelo para uma banda em ascensão.