A propósito do single dos Supernova do post anterior, vale a pena relembrar o que se andava a passar por cá na altura em que foi editado. Entre 1994 e 1997 viveram-se anos muito bons para a música alternativa em Portugal. A Antena 3 contrata o Henrique Amaro que começa a sua longa carreira de 'padrinho' de muito do underground português - ainda há agora coordena as compilações FNAC Novos Talentos - apresentando o
100% a partir do qual editou em 1995 um CD com o mesmo nome, com bandas escolhidas através das várias maquetes que divulgava no ar; o Johnny Guitar ainda mexia mas já sem concertos, por entre várias ameaças de encerramento; os Pinhead Society estavam na capa do Blitz; a Música Alternativa editava a caixa Tripop com os Pinhead, os Monsterpiece e os Azul em Chamas; a Valentim de Carvalho ainda tinha dinheiro e a Elsa Pires não tinha muito e ainda bem porque fez nascer a Bee Keeper.
E foi com a Bee Keeper que estivemos mais próximos do
do-it-yourself 'à antiga', antes dos gravadores de CDs e da internet, em que se gravavam cassetes (ou mais raramente discos de vinil), faziam-se colagens para servir de
artwork, fotocopiavam-se fanzines e lambiam-se selos para as vendas pelo correio. Felizmente a Elsa Pires resolveu criar uma página da
Bee Keeper no MySpace, de lá disponibilizar meia-dúzia de músicas de várias das bandas que a Bee Keeper editou e de escrever um pouco da história no respectivo
blog. Mais felizmente ainda, alguém gravou a
reportagem do 'Spray' (RTP2) - apresentado precisamente pelo Henrique Amaro - sobre a mítica primeira colectânea da Bee Keeper (Elsa Pires) e da Milkshake (Luís Futre)
Teenagers From Outer Space e o disco de tributo aos Damage Fanclub
Supermarket Music , com entrevistas a ambos, aos próprios Damage Fanclub e com imagens de concertos e de sessões de gravação.
A cereja no topo do bolo é a malta do
PlayOnTape ter disponibilizado para download seis cassetes da Bee Keeper (ver
aqui), incluindo capas e tudo.