Algures por volta de 1997, Jeff Magnum leu o 'Diário' de Anne Frank e o sentimento de tristeza e dor que o invadiu foi de tal forma grande, que acabou por ser essa a grande influência para o álbum que os Neutral Milk Hotel gravaram pouco tempo depois. Como é dito na crítica à reedição do álbum publicada na Pitchfork, deve ser difícil arranjar um pretexto menos cool e rock 'n' roll para gravar um álbum do que ficar em lágrimas com um livro que normalmente é lido antes dos 15 anos, mas o resultado é um dos discos mais extraordinários que tenho ouvido. Mistura banjos, acordeões, uma serra musical, metais - dez anos antes de Zach Condon nos ter habituado a eles com os Beirut - e uma guitarra acústica que dá a sensação de que às vezes soa distorcida não 'para fazer mais barulho', como seria de esperar, mas porque é tocada com tanta força que não havia outra hipótese, tudo a servir de pano de fundo a letras cantadas como se não lhes chegasse o tempo para dizerem tudo aquilo que têm a dizer.
É um álbum feito para ser ouvido duma ponta à outra, seguido, sem interrupções, e por isso é sempre ingrato escolher só algumas partes dele para mostrar. Uma tentativa possível é deixar aqui estas cinco faixas, duas desenraizadas lá do meio e as três que fecham o álbum. Se tiverem de escolher só uma, escolham a 'Ghost'.
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20.7.08
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